domingo, 24 de agosto de 2014

Oi voltei! Para contar uma história verdadeira acontecida nos anos quarenta, e ficaria feliz se principalmente os descendentes da família Mendonça, a qual eu pertenço, soubessem que tivemos um herói, nosso representante no maior evento de todos os tempos a segunda guerra mundial, e estendo aqui uma saudação a todos que aqui estão e aos que já cumpriram sua missão no nosso convívio. 
 
                                H O M E N A G E M  A   U M   H E R Ó I

Ao ver chegar os cem anos da primeira guerra mundial, que na seqüência alguns de seus participantes se prepararam e no ano de 1.939, voltaram as armas, começando aí uma das mais terríveis e sangrenta batalha pelo poder e como conseqüência ceifando milhões de vidas inocentes.Eram os do eixo, e claro, os paises vítimas se juntaram e criaram os aliados onde foram envolvidos quase todos os povos do mundo.

O que pretendo é registrar que eu era ainda criança e juntamente com meu saudoso pai acompanhei por alguns anos esse grande momento da humanidade. Como é sabido, o nosso Brasil nos últimos anos dessa guerra, por acontecimentos, foi também envolvido. Foi um grande susto para os brasileiros, pois, imaginavam estarem muito longe do conflito, mas a causa era justa e por esta razão os nossos governantes não titubearam em dar apoio aos aliados para que também não fossemos vítimas de tal desatino. Começa nesse momento nossa história junto a segunda grande guerra mundial.

Os nossos exércitos militares como nossos defensores por terra, ar e mar prontamente se prepararam para o evento agilizando suas tropas e usando de uma forma para ampliar seus contingentes, que era o sorteio de jovens de vinte e um anos de idade solteiros, que passariam a ser chamados de pracinhas brasileiros à disposição da guerra. Registra a história que foram vinte e cinco mil soldados com seus respectivos comandantes.

Feita as chamadas, todos se apresentaram aos devidos quartéis onde foram incorporados e treinados até o momento de partirem para o campo de batalha. Foi muito triste principalmente para as famílias destes condenados que talvez nem voltassem dos campos de guerra de onde milhões já haviam sucumbido em nome da liberdade e da paz.

Para cada família desses pracinhas eles eram seus heróis. O momento chegou. Embarcaram com grandes movimentos e podemos até dizer festas de todos que conseguiram chegar ao local da partida. E lá foram os nossos heróis para a Europa, mais exato para a Itália onde os aliados não estavam conseguindo afastar e retirar os inimigos, os nazistas e fascistas que destruíam, corrompiam, pilhavam tudo e a todos deixando um rastro de morte dizimando tudo. Isto podia se ver pela imprensa, onde revistas e jornais traziam as fotos, as matérias das desgraças causadas pelo terror da guerra, tanto dos militares como dos civis que não eram de acordo com seu ditador, o fatídico Benito Mussolini que se juntara a Adolf Hitler ditador da Alemanha, para conseguirem mais poderes. Desejavam dominar o mundo, uma loucura.

De todos os heróis que foram para a Itália, um, para os meus e principalmente para mim era o maior, o meu tio, irmão de meu pai. Seu nome João Mendonça.

Além da imprensa escrita, o rádio transmitia sem cessar as notícias do flagelo da guerra. Eu já aos nove anos de idade, juntamente com meu pai, lia as revistas e jornais que ele assinava, e o nosso rádio ficava ligado direto. E nós sempre atentos aos noticiários ficávamos sabendo tudo que ia acontecendo com os nossos pracinhas, das suas dificuldades, das suas saudades, os feridos, os mortos. E nós, até na esperança de ouvir saber alguma coisa do nosso herói, devo dizer que sentíamos muitas saudades e tristezas. Minha mãe às vezes chorava, pois, ela tinha nosso herói como um filho. Ele era o caçula dos Mendonça e pela perda dos nossos avós ele fora quase criado por ela. Ele quando podia escrevia, e sempre terminava com um até breve. Meu pai era seu tutor e guardou durante todo o tempo parte de seu soldo que ele recebia lá no front. Nas cartas ele falava de seus embates junto aos seus amigos de infortúnio, falava do povo italiano, na miséria em que estavam, nas mulheres e crianças famintas aos quais ele e seus amigos soldados tentavam ajudar dando a eles até suas rações, chocolate etc., pois, eles quase se matavam para achar e colher nas árvores, nas madeiras, os fungos, aquelas orelhas que crescem nos paus. Eles cozinhavam e servia de alimento, pois, as plantações na maioria já não existiam. A região que ele fora servir era uma parte da Itália onde o frio era muitas vezes alguns graus abaixo de zero. A terra era coberta de gelo o
tempo todo e às vezes os lugares onde dormiam ou nas trincheiras amanheciam cheio de água gelada.
O nosso herói conta que participou da tomada de Monte Castelo e muitos outros lugares famosos  da Itália em renhidas batalhas, onde ele até ganhou medalhas e comendas por trabalhos efetuados.

Por tudo isso que ele passou, além do meu pai, passou a ser também meu grande herói.

A guerra foi passando, os aliados foram conseguindo expurgar o eixo, até o dia em que ela terminou. Foi o grande dia da vitória dos aliados. Festa no mundo. Todos cantavam e dançavam apesar de tudo. Veio o momento da retirada das forças armadas dos locais, dos teatros de operações. Coisa difícil porque de repente ficava um vazio, ocasião em que os próprios contendores não conseguiam entender o que acontecera. Mas a guerra acabou.

Agora chegara a hora de voltar. Alegria para muitos que iriam rever os seus familiares, seus lares. Mas outros nunca mais retornariam. O glorioso exército dos pracinhas brasileiros que criaram o emblema da cobra fumando, voltaram vitoriosos, cobertos de glórias. O Brasil se rejubila.

Cada batalhão, cada contingente já reunido, embarcava pela última vez no solo italiano. Os navios partiram mar adentro em direção ao seu país de origem, o Brasil. Mas conta o meu tio, que o navio que ele voltava teve um problema grave: perdeu o seu leme, ele se quebrou e o navio ficou a deriva sem controle. Isso por mais de três meses. Os outros chegaram e eles com seu navio foram até considerados perdidos, até que um dia um avião que passava os detectou. E eles já estavam muito longe da rota de volta. Isso os familiares dos que estavam nesse navio só souberam quando eles chegaram e contaram o acontecido. Segundo ele as reservas os alimentos acabaram e a partir daí, os pracinhas e a tripulação do navio, para se alimentarem tinham que pescar, e normalmente o peixe era tubarão. Mas felizmente, algum tempo depois veio o resgate e foi um grande acontecimento ao chegarem ao Brasil.

Muitos foram os preparativos na nossa casa para receber o nosso herói. Festa, comes e bebes, amigos, a vizinhança. E ele chegou. Parecia um gigante. Minha mãe chorava. O terceiro sargento João Mendonça com seu uniforme passeio era recebido com queima de fogos e fogueira, porque também era festa junina. Meu pai mandara matar um boi e distribuiu sua carne com os amigos e vizinhos. Um dia inesquecível e fantástico na minha lembrança.

Nesse dia nosso herói e meu pai tocaram violão e cavaquinho como eles faziam antes dele ir pra guerra. Nesses dias que ele ficou em casa contou muitas histórias que ele viveu em solo italiano, sempre cercado de uma boa galera. Uma delas foi que um dia à tarde já escurecendo ele botou a cabeça para fora da trincheira e uma bala de fuzil sinalizadora raspou e queimou o seu bigode. Outra quando eles chegaram ao primeiro dia, o sargento de dia fez a escala de sentinela e eles foram dormir no chão. De madrugada ele acordou com o sargento de dia chamando o soldado ao seu lado para render a sentinela, mas o soldado estava morto por estilhaços de granada. Quando nos ataques encontravam alguém morto a primeira coisa a fazer era ver o numero do calçado dele para trocar o seu que já estava úmido, e quando encontravam papel jornal colocavam dentro do calçado para esquentar o pé. Por causa de estilhaços ele perdeu um pulmão que foi substituído por bolinhas de pingue-pongue às quais quando ele queria mostrar movimentava o ombro para cima e para baixo e ouvia-se o ruído delas se friccionando. Acredito que ele mesmo nunca se deu conta do que ele representava do seu valor para nós e para o nosso país.

O nosso herói seguiu sua vida reformado que foi por ter sido um pracinha brasileiro promovido a sargento, dedicou-se um pouco à música estudando-a. Casou-se na cidade de Campinas com minha tia Cimira, que já era sua noiva quando foi convocado para a guerra tiveram um filho de nome Joacir e terminando indo morar na cidade de São Jose dos Campos onde viveu até seus últimos dias.

Esta é minha pequena homenagem ao meu grande herói e tio: Senhor João Mendonça do qual sinto grande honra em ser  sobrinho.