Oi
voltei! Para contar uma história verdadeira acontecida nos anos quarenta, e
ficaria feliz se principalmente os descendentes da família Mendonça, a qual eu
pertenço, soubessem que tivemos um herói, nosso representante no maior evento
de todos os tempos a segunda guerra mundial, e estendo aqui uma saudação a
todos que aqui estão e aos que já cumpriram sua missão no nosso convívio.
H O M E
N A G E M A U M
H E R Ó I
Ao
ver chegar os cem anos da primeira guerra mundial, que na seqüência alguns de
seus participantes se prepararam e no ano de 1.939, voltaram as armas,
começando aí uma das mais terríveis e sangrenta batalha pelo poder e como
conseqüência ceifando milhões de vidas inocentes.Eram os do eixo, e claro, os paises vítimas se juntaram
e criaram os aliados onde foram envolvidos quase todos os povos do mundo.
O
que pretendo é registrar que eu era ainda criança e juntamente com meu saudoso
pai acompanhei por alguns anos esse grande momento da humanidade. Como é
sabido, o nosso Brasil nos últimos anos dessa guerra, por acontecimentos, foi
também envolvido. Foi um grande susto para os brasileiros, pois, imaginavam
estarem muito longe do conflito, mas a causa era justa e por esta razão os
nossos governantes não titubearam em dar apoio aos aliados para que também não
fossemos vítimas de tal desatino. Começa nesse momento nossa história junto a
segunda grande guerra mundial.
Os
nossos exércitos militares como nossos defensores por terra, ar e mar
prontamente se prepararam para o evento agilizando suas tropas e usando de uma
forma para ampliar seus contingentes, que era o sorteio de jovens de vinte e um
anos de idade solteiros, que passariam a ser chamados de pracinhas brasileiros
à disposição da guerra. Registra a história que foram vinte e cinco mil
soldados com seus respectivos comandantes.
Feita
as chamadas, todos se apresentaram aos devidos quartéis onde foram incorporados
e treinados até o momento de partirem para o campo de batalha. Foi muito triste
principalmente para as famílias destes condenados que talvez nem voltassem dos
campos de guerra de onde milhões já haviam sucumbido em nome da liberdade e da
paz.
Para
cada família desses pracinhas eles eram seus heróis. O momento chegou.
Embarcaram com grandes movimentos e podemos até dizer festas de todos que
conseguiram chegar ao local da partida. E lá foram os nossos heróis para a
Europa, mais exato para a Itália onde os aliados não estavam conseguindo
afastar e retirar os inimigos, os nazistas e fascistas que destruíam,
corrompiam, pilhavam tudo e a todos deixando um rastro de morte dizimando tudo.
Isto podia se ver pela imprensa, onde revistas e jornais traziam as fotos, as
matérias das desgraças causadas pelo terror da guerra, tanto dos militares como
dos civis que não eram de acordo com seu ditador, o fatídico Benito Mussolini
que se juntara a Adolf Hitler ditador da Alemanha, para conseguirem mais
poderes. Desejavam dominar o mundo, uma loucura.
De
todos os heróis que foram para a Itália, um, para os meus e principalmente para
mim era o maior, o meu tio, irmão de meu pai. Seu nome João Mendonça.
Além
da imprensa escrita, o rádio transmitia sem cessar as notícias do flagelo da
guerra. Eu já aos nove anos de idade, juntamente com meu pai, lia as revistas e
jornais que ele assinava, e o nosso rádio ficava ligado direto. E nós sempre
atentos aos noticiários ficávamos sabendo tudo que ia acontecendo com os nossos
pracinhas, das suas dificuldades, das suas saudades, os feridos, os mortos. E
nós, até na esperança de ouvir saber alguma coisa do nosso herói, devo dizer
que sentíamos muitas saudades e tristezas. Minha mãe às vezes chorava, pois,
ela tinha nosso herói como um filho. Ele era o caçula dos Mendonça e pela perda
dos nossos avós ele fora quase criado por ela. Ele quando podia escrevia, e
sempre terminava com um até breve. Meu pai era seu tutor e guardou durante todo
o tempo parte de seu soldo que ele recebia lá no front. Nas cartas ele falava
de seus embates junto aos seus amigos de infortúnio, falava do povo italiano,
na miséria em que estavam, nas mulheres e crianças famintas aos quais ele e
seus amigos soldados tentavam ajudar dando a eles até suas rações, chocolate
etc., pois, eles quase se matavam para achar e colher nas árvores, nas
madeiras, os fungos, aquelas orelhas que crescem nos paus. Eles cozinhavam e
servia de alimento, pois, as plantações na maioria já não existiam. A região
que ele fora servir era uma parte da Itália onde o frio era muitas vezes alguns
graus abaixo de zero. A terra era coberta de gelo o
tempo todo e às vezes os
lugares onde dormiam ou nas trincheiras amanheciam cheio de água gelada.
O nosso herói conta que participou da tomada de Monte
Castelo e muitos outros lugares famosos
da Itália em renhidas batalhas, onde ele até ganhou medalhas e comendas
por trabalhos efetuados.
Por
tudo isso que ele passou, além do meu pai, passou a ser também meu grande
herói.
A
guerra foi passando, os aliados foram conseguindo expurgar o eixo, até o dia em
que ela terminou. Foi o grande dia da vitória dos aliados. Festa no mundo.
Todos cantavam e dançavam apesar de tudo. Veio o momento da retirada das forças
armadas dos locais, dos teatros de operações. Coisa difícil porque de repente
ficava um vazio, ocasião em que os próprios contendores não conseguiam entender
o que acontecera. Mas a guerra acabou.
Agora
chegara a hora de voltar. Alegria para muitos que iriam rever os seus
familiares, seus lares. Mas outros nunca mais retornariam. O glorioso exército
dos pracinhas brasileiros que criaram o emblema da cobra fumando, voltaram
vitoriosos, cobertos de glórias. O Brasil se rejubila.
Cada
batalhão, cada contingente já reunido, embarcava pela última vez no solo
italiano. Os navios partiram mar adentro em direção ao seu país de origem, o
Brasil. Mas conta o meu tio, que o navio que ele voltava teve um problema
grave: perdeu o seu leme, ele se quebrou e o navio ficou a deriva sem controle.
Isso por mais de três meses. Os outros chegaram e eles com seu navio foram até
considerados perdidos, até que um dia um avião que passava os detectou. E eles
já estavam muito longe da rota de volta. Isso os familiares dos que estavam
nesse navio só souberam quando eles chegaram e contaram o acontecido. Segundo
ele as reservas os alimentos acabaram e a partir daí, os pracinhas e a
tripulação do navio, para se alimentarem tinham que pescar, e normalmente o peixe
era tubarão. Mas felizmente, algum tempo depois veio o resgate e foi um grande
acontecimento ao chegarem ao Brasil.
Muitos
foram os preparativos na nossa casa para receber o nosso herói. Festa, comes e
bebes, amigos, a vizinhança. E ele chegou. Parecia um gigante. Minha mãe
chorava. O terceiro sargento João Mendonça com seu uniforme passeio era
recebido com queima de fogos e fogueira, porque também era festa junina. Meu
pai mandara matar um boi e distribuiu sua carne com os amigos e vizinhos. Um
dia inesquecível e fantástico na minha lembrança.
Nesse
dia nosso herói e meu pai tocaram violão e cavaquinho como eles faziam antes
dele ir pra guerra. Nesses dias que ele ficou em casa contou muitas histórias
que ele viveu em solo italiano, sempre cercado de uma boa galera. Uma delas foi
que um dia à tarde já escurecendo ele botou a cabeça para fora da trincheira e
uma bala de fuzil sinalizadora raspou e queimou o seu bigode. Outra quando eles
chegaram ao primeiro dia, o sargento de dia fez a escala de sentinela e eles
foram dormir no chão. De madrugada ele acordou com o sargento de dia chamando o
soldado ao seu lado para render a sentinela, mas o soldado estava morto por
estilhaços de granada. Quando nos ataques encontravam alguém morto a primeira
coisa a fazer era ver o numero do calçado dele para trocar o seu que já estava
úmido, e quando encontravam papel jornal colocavam dentro do calçado para
esquentar o pé. Por causa de estilhaços ele perdeu um pulmão que foi
substituído por bolinhas de pingue-pongue às quais quando ele queria mostrar
movimentava o ombro para cima e para baixo e ouvia-se o ruído delas se
friccionando. Acredito que ele mesmo nunca se deu conta do que ele representava
do seu valor para nós e para o nosso país.
O
nosso herói seguiu sua vida reformado que foi por ter sido um pracinha
brasileiro promovido a sargento, dedicou-se um pouco à música estudando-a.
Casou-se na cidade de Campinas com minha tia Cimira, que já era sua noiva
quando foi convocado para a guerra tiveram um filho de nome Joacir e terminando
indo morar na cidade de São Jose dos Campos onde viveu até seus últimos dias.
Esta
é minha pequena homenagem ao meu grande herói e tio: Senhor João Mendonça do
qual sinto grande honra em ser sobrinho.
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