sábado, 20 de setembro de 2014

Radiodifusão

Como todos sabem, a radiodifusão começou por volta de 1.912 com o telégrafo sem fio. Alguns técnicos e cientistas do mundo contribuíram para sua invenção. Um deles, Guglielmo Marconi, estudou os princípios elementares de uma transmissão radiotelegráfica e registrou a primeira patente em junho de 1.896 em Londres, razão pela qual todos o consideram como seu inventor. Nas primeiras experiências, a transmissão só era possível para pequenas distâncias, mas depois de muitos estudos, acoplada a novos equipamentos inventados por outros cientistas, essa distância foi sendo aumentada e em 1.920, já na Europa, se ouvia músicas e notícias via rádio. Este evento foi seguido por quase todo o mundo e em 1.922, no aniversário da Independência do Brasil, com presenças das mais altas autoridades, foi inaugurada a radiodifusão brasileira, com a primeira transmissão realizada na cidade do Rio de Janeiro, com músicas e o primeiro discurso do nosso presidente, na ocasião, Epitácio Pessoa.

O Brasil sem televisão viveu o auge da chamada Era do Rádio de 1.930 a 1.950. Para o locutor, o momento no estúdio em frente ao microfone era fantástico. Do outro lado do aquário (separação de vidro), o técnico de som rodava os discos de massa de 78 rpm (rotações por minuto), com as músicas prediletas dos ouvintes, que em grande número eram das zonas rurais. Para o radialista, era excitante estabelecer laços afetivos e mandar músicas aos ouvintes que recebiam a mensagem na sua solidão. 

Alguns dos cantores brasileiros que desfilavam nas rádios AM: Mario Reis, Carmem Miranda - "A pequena Notável", Bando da Lua, a dupla Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Tonico e Tinoco - a dupla coração do Brasil, Torres, Florêncio e Riele - o trio sertanejo mais famoso que deixou um clássico que virou a peça teatral "Cabocla Tereza", Bob Nelson - o primeiro a misturar o sertanejo com o country americano, Cascatinha e Inhana com suas lindas guaranias, Joel e Gaúcho, Trio de Ouro, Dalva de Oliveira, Vicente Celestino, Silvio Caldas, as irmãs Dircinha e Linda Batista, Araci de Almeida, Carlos Galhardo  - O Rei da Valsa, Moreira da Silva, Jorge Veiga, Orlando Silva, Francisco Alves  - O Rei da Voz, Marlene, Emilinha Borba, Blecaute, Nuno Rolan, Jackson do Pandeiro - O Rei do Ritmo, Dorival Caymmi - autor de Maracangalha, Elizeth Cardoso, os músicos Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Benedito Lacerda, músico, compositor, flautista e muitos outros.

Nessa época, foi criada a "Revista do Rádio" que, além de escolher anualmente o rei do rádio, trazia também as notícias dos artistas. Ainda haviam os programas humorísticos que revelavam grandes talentos, um dos maiores em audiência era o Balança Mas Não Cai, Trem da Alegria. Revelavam-se também grandes compositores como Noel Rosa, Catulo da Paixão Cearense, Herivelto Martins, Lamartine Babo, um dos mais importantes compositores populares do Brasil, com Serra da Boa Esperança, O Teu Cabelo Nega, Linda Morena e também composição de hinos de vários clubes de futebol. Ary Barroso, autor de Aquarela do Brasil, Tabuleiro da Baiana e de Os Quindins de YaYà. Antonio Nássara compôs com Haroldo Lobo “Ala-lá-ô”. Mario Lago autor de "Ai que saudades da Amélia", "Atire a primeira pedra" e "Aurora". João de Barro (Braguinha), famoso pelas marchinhas de carnava,l compôs "Pirata da Perna de Pau", "Chiquita Bacana", "Pastorinhas", "Touradas em Madri" e muitos outros. 

As rádios também divulgavam discos importados de grandes orquestras e seus maestros, cantores e cantoras internacionais. Ao relacionar estes brilhantes artistas, a minha intenção é de mostrar para os brasileiros a importância deles em impulsionar a radiodifusão para o grande sucesso que ela é hoje. O mais importante, principalmente para as mulheres, eram as rádio novelas. Muitas rádios mantinham sua equipe de rádio atores e levavam ao ar, diariamente, capítulos de novelas que eram ouvidos por todos.  O rádio foi melhorando com a criação de novos equipamentos e em 1.948 a invenção do transistor revolucionou a radiodifusão, pois apareceram os receptores portáteis que funcionavam com pilhas Foram necessárias muitas pesquisas e muito trabalho para se passar de rádios pesados que funcionavam com válvulas, aos pequenos modelos a transistor, que eram mais leves e modernos.  

O rádio passou a substituir os jornais como meio de veiculação de notícias, principalmente nos países de grandes territórios e população dispersa, pois ele informava a notícia na hora em que ela estava acontecendo, como por exemplo, no futebol.

Muitos brasileiros que participaram do rádio se tornaram famosos, verdadeiras celebridades em atividades diversas por se dirigirem ao público a partir de um estúdio simples. 


Devo dizer que dediquei grande parte da minha vida militando na radiodifusão e me sinto realizado por ter escolhido também o rádio como profissão. Claro, não seria aqui que podería falar tudo sobre a radiodifusão, seus profissionais, os acontecimentos, suas histórias, suas conquistas. O que me fez escrever este relato, foi  a grande importância que a amplitude modulada (AM) teve para os brasileiros, já que com a AM iniciou-se a Radiodifusão no Brasil. 

É muito bom lembrar as coisas que aconteciam na época, porque muitas rádios conseguiam ter um espaço, um auditório onde os radialistas com muita criatividade faziam seus programas de calouros, sertanejos, festas de aniversários de seus programas, da emissora ou até das cidades onde se apresentavam os artistas prata da casa, e até das circunvizinhanças. Incluíam-se aí artistas profissionais convidados e contratados. Utilizavam também esses auditórios para eventos religiosos, políticos, enfim a sociedade num todo. 

Um dos maiores auditórios de rádio que conheci e trabalhei (com oitocentos e cinqüenta cadeiras), foi o da rádio São Carlos a ZYA-6, na cidade de São Carlos. Isso nos anos 60. Nestas rádios, as programações normalmente se conduziam com músicas, noticiários jornalísticos e esportivos, programas em que o ouvinte conversava e respondia perguntas dos locutores, pediam músicas, programas especiais com músicas clássicas e até óperas, ou seja, o mesmo de hoje. Ainda haviam as entrevistas com autoridades, políticos, religiosos ou alguém muito importante que por alguma razão se destacava e também as transmissões externas. A maioria das rádios fazia a Oração da Ave Maria, às 18h00, com alguém especializado, a qual era ouvida por muitos. Às 19h00, por lei, todos se obrigavam a entrar em cadeia com a agência nacional, para a apresentação da Voz do Brasil. A programação destas rádios se encerrava entre 22h00 e 24h00, voltando às 05h00 da manhã com sua programação sertaneja até 07h00 ou 08h00 da manhã.

Em certo momento, abriu-se um leque e o ministério das comunicações autorizou as rádios FM, que também inundaram as cidades com especialidades em músicas e apresentadores eletrizantes. Mais tarde a televisão apareceu com shows, noticiários e novelas, todos tentando segurar ao máximo a audiência. 

E o que se esperava não aconteceu, que a radiodifusão seria superada por essas inovações, mas nada impediu que as AM continuassem fazendo o trabalho que sempre fizeram, continuaram no ar com muita força e em compasso para receber o rádio digitalizado. Assim, estiveram naturalmente lado a lado aos  demais na corrida de informar e divertir os ouvintes do nosso país. 

Posso dizer que um bom radialista precisa, além da vocação, agir com profissionalismo e ter a responsabilidade como meta! Mesmo porque o seu trabalho vai refletir, influenciar seus ouvintes, dentro de suas próprias casas. Por isso, o melhor a fazer para ser um bom profissional é se dedicar, estudar e muito, como em qualquer profissão. Desde os anos 50, o SENAC já ministrava esses ensinamentos num curso chamado "Curso do Ar", em que o aluno recebia certificação, concedendo-lhe aptidão ao trabalho em emissoras de rádio. Já há algum tempo, apareceram escolas oferecendo cursos técnicos de radiodifusão para os aficcionados e mais tarde, finalmente, as faculdades. 

Comemora-se o Dia do Radialista em 21 de Setembro, em 25 de Setembro o Dia do Rádio e em 13 de Fevereiro o Dia Mundial do Rádio.

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