Em uma entrevista num programa
humorístico da TV, um artista (cantor) falava de sua conturbada carreira que
terminou na conclusão que deveria ser atribuída a Deus, pois, ele acredita que Este
o tirou do vício, das drogas e muitos outros problemas. Então ele enveredou pela
trilha de músicas religiosas, mas somente músicas dirigidas a Deus que sem erro
é um filão de ouro, pois, ele tem a certeza que seus CDs serão vendidos pelo
menos para os crentes, e que são muitos. Perguntado pelo apresentador do
programa qual seria sua religião, ele respondeu que não pertencia a nenhuma
igreja ou religião, e que não gostava de rótulos, assim, o seu trabalho, seria
mesmo só para Deus, saindo do lugar comum de ser um cantor gospel, o que
algumas emissoras de rádio e de TV vem tentando incluir nas suas programações,
mas ainda sem muito sucesso, apesar de já existir um turbilhão de cantores e
cantoras no segmento nos corredores das rádios e TVs.
Um dia até pode acontecer, mas
com uma restrição, a de que as músicas não sejam tão iguais como as das novas
duplas de violeiros sertanejos. Quando o artista da entrevista mencionou rótulo,
era porque talvez ele não quisesse atrás do seu trabalho, uma igreja para
também tirar lucro e o dízimo tão importante para elas. Ele até cantou, mas a
música na sua letra, repetia as mesmas coisas de quase todas as outras, e isso é
cansativo e apesar de ser dirigida para o seu “deus”, ela também vai para os
ouvintes de outros “deuses”, ou outras formas de se ver seus “deuses” e que
talvez nem sempre estejam dispostos a ouvir. O ideal são mesmo as músicas que
não tem nada a ver com religião e política; afinal músicas são para espairecer,
alegrar, divertir, deleitar, não para induzir ou esquentar a cabeça das pessoas.
A mensagem deste cantor da
entrevista, até que é válida, tem sentido, mas ele esquece que está inciso na
matéria e isto é uma pena. As músicas há muito tempo eram feitas e usadas para
levar histórias de amor, poesias e até mesmo só as melodias, eram o bastante
para divertir e alegrar. Quem não se lembra das grandes orquestras, onde só ela
era o suficiente para se fazer uma grande festa, um grande baile. Mas o tempo
foi passando e foram sendo introduzidas músicas com letras que seriam
interpretadas por grandes cantores, e, na continuidade, tornou-se uma profissão
rendosa para os que teriam o dom de ser um bom cantor. E as indústrias
fonográficas viriam a explorar estes artistas e todos passaram a ganhar. E a
partir daí, qualquer um que achava ser um cantor, se introduzia na área e
muitos até que deram sorte.
E começaram a aparecer tipos e
gêneros de músicas, ritmos, que para faturar aumentaram e muito, invadindo o
mercado, as casas dos ouvintes com sambas, grupos de pagodeiros, duplas
sertanejas, a música do sul como o vanerão e outros. Finalmente o que não se
acreditava aconteceu, o funk, copiado de outro país que não usa nem instrumento.
É só o tal de batidão e qualquer um pode ser seu intérprete, pois, parece não
ter regras nem técnica, e admite nas suas letras, sexo e palavras de baixo
calão. Por exemplo, a funkeira Valeska Poposuda, pasmem, foi considerada uma
grande filósofa, e letra de uma de suas músicas foi usada em uma questão em prova
do Enem.
Mas pode-se dizer que tais músicas
assumiram a liderança nos lugares comuns, e todos se deliciam com o tal batidão,
e até dão muito trabalho às autoridades. Mas alguns desses “funkeiros” se
alinharam e até conseguem fazer um bom trabalho.
Isso é apenas um ângulo de como é
vista a música na sua evolução, sem contar com as grandes concentrações de
carnaval, com músicas que quase sempre são só para os três dias de carnaval, com
cada escola de samba sempre tentando ser a melhor na avenida. Mas o que
permanece mesmo é que nos clubes a maioria das músicas tocadas são reminiscências
de quando era o povo quem fazia o corso (desfile nas ruas), a alegria do
carnaval.
O que deveria mesmo ser observado
é que a música não poderia ser dirigida a alguns e sim para todos. De qualquer
forma a música é uma coisa divina. A história conta que quem canta seus males
espanta, lembrando ainda que desde o seu nascimento ela faz parte de sua vida.