sábado, 7 de fevereiro de 2015

C A R N A V A L - a festa de Momo

Mais uma vez estamos vivendo uma das maiores festas para os brasileiros, a festa de Momo, o carnaval, que consta até na Bíblia.
Não importa a situação que se viva, ela sempre aconteceu e acontecerá. Pode-se dizer até, que ela funciona como uma válvula de escape.
Esse costume foi trazido para o Brasil pelos portugueses, e seus primeiros registros são do famoso “Abre alas”, da imortal compositora Chiquinha Gonzaga, que até hoje é lembrada nos salões de bailes e nas ruas por todas as bandas do Brasil.
É muito prazeroso lembrar os carnavais passados considerados como a festa do povo, onde todos podiam participar sem exceção, crianças, adultos, ricos ou pobres; era só colocar uma máscara, pegar um pandeiro e ai estava um grande folião, dando vazão a sua felicidade, ao seu bom humor. As ruas eram pistas onde cada um desenvolvia seus passes, suas danças. Quem era músico, pegava o seu instrumento e também participava do cortejo. Tudo era alegria e felicidade. Num certo ano saiu uma música para complementar esse momento único que dizia “ com dinheiro ou sem dinheiro, o, o, o ,o, eu brinco, com pandeiro ou sem pandeiro, o, o, o, o, eu brinco”. Fantástico.
Não ficava só nisso. Os que tinham carro ou caminhão, os transformavam em viaturas carnavalescas, enfeitando-os, colocando vários tipos de assovio nos escapamentos e faziam desfiles nas ruas principais. Eram os corsos, cheios de gente cantando, jogando confétes e serpentinas no povo, que revidava na maior alegria. Havia também umas bolinhas cheias de perfume, que os foliões jogavam nas pessoas perfumando-as. Podiam ser encontrados também, os hoje proibidos lança perfume. E a festa do povo estava completa.
Pena que eram só três dias. Mas muitas músicas feitas para essa ocasião marcaram época, como por exemplo: Pierrot e Colombina, Ala-la-o, Jardineira, Piriquitinho verde, Odalisca, Mamãe eu quero, e muitas outras, que ainda são tocadas nos salões de baile e que nos dão muita saudade.
Essas músicas eram gravadas pelos cantores da época e as rádios as divulgavam a partir de novembro, dezembro do ano anterior. E os clubes já realizavam seus bailes pré-carnavalescos, ou o baile do grito do carnaval como eram chamados. Era muito bom. Mas só entravam pessoas maiores de idade o que pra muitos era uma lástima.
Nas grandes cidades o carnaval de rua era inesquecível, com passistas fantásticos fazendo suas acrobacias, nos bondes, nos corsos, os cordões de foliões fantasiados atravessando no meio do povo, cantando, gesticulando, e os blocos carnavalescos que a todo ano aumentavam trazendo muita alegria para todos. E ninguém saia sem seu saquinho de conféti, rolos de serpentinas e lança perfumes, fazendo guerras com eles principalmente contra os bondes que não paravam de passar lotados de foliões. E era tão grande o movimento, que chegava a atrapalhar o trânsito pela quantidade de conféti e serpentinas atiradas, que era preciso caminhões de limpeza da prefeitura vir recolhê-los para continuar a festa. Na cidade de São Paulo, por exemplo, isso acontecia nas avenidas São João e Rangel Pestana. Isso era muito bom, pois a festa era realmente proporcionada pelo povo e não se pagava nada para assistir ou participar.
O tempo foi passando e o carnaval de rua foi sendo substituído por uma nova modalidade, quando grupos maiores começaram a criar as escolas de samba, uma quantidade maior de pessoas comandadas na apresentação com instrumentos de percussão na retaguarda. E dava resultado para o público, que agora só aplaudia. E os corsos deixaram de ser uma das maiores atrações.
Novos tempos viriam mudar radicalmente a festa considerada do povo. Foi criada pelas prefeituras, a Secretaria de Turismo e Cultura, que vendo o interesse do povo para tal evento, açambarcou este para as escolas de samba, transferindo, a festa do povo para alguns locais criados pelos interesses das prefeituras das grandes cidades. E nestes corredores, as arquibancadas, os camarotes, são para quem pode pagar e devem ser explorados ao máximo. E as escolas de samba que conseguem estar nos grupos principais investem muito, e algumas delas estão nas mãos de pessoas duvidosas, corruptas, sendo tudo isso comandado com normas e leis pela Secretaria de Turismo.  Naturalmente, rola muito dinheiro. Alguns ganham muito, mas os coitadinhos que ajudam com o trabalho na apresentação, não ganham nada ou quase nada. Ao contrário, às vezes até pagam para participar de tais escolas de samba.
Agora, desfilar em escolas de samba tornou-se para muitos uma vitrine para vender suas imagens, e muitos artistas se envolvem no evento para usufruir de tal vitrine.
Mas não importa, o povão quer ver a sua escola vencer, mesmo sabendo que a chance é pequena. Uma hora e pouco para desfilar, para quem passou o ano trabalhando, investindo em materiais que serão jogados no lixo. E para tristeza dos torcedores, uma só será a vencedora, e os regulamentos prevêem que algumas delas podem cair para o segundo grupo e isso é triste.
Fica a pergunta, os milhões que rolam vão para onde, no que será aplicado.
Só para lembrar, o carnaval eram quatro dias, hoje são cinco, e há alguns lugares que são até mais. Sem esquecer as micaretas que podem acontecer a qualquer época do ano.

Para ilustrar; uma coisa que sempre ouvi é que o Brasil só anda, só pega, depois do carnaval.                        

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