Mais uma vez estamos vivendo uma
das maiores festas para os brasileiros, a festa de Momo, o carnaval, que consta
até na Bíblia.
Não importa a situação que se
viva, ela sempre aconteceu e acontecerá. Pode-se dizer até, que ela funciona
como uma válvula de escape.
Esse costume foi trazido para o
Brasil pelos portugueses, e seus primeiros registros são do famoso “Abre alas”,
da imortal compositora Chiquinha Gonzaga, que até hoje é lembrada nos salões de
bailes e nas ruas por todas as bandas do Brasil.
É muito prazeroso lembrar os
carnavais passados considerados como a festa do povo, onde todos podiam
participar sem exceção, crianças, adultos, ricos ou pobres; era só colocar uma
máscara, pegar um pandeiro e ai estava um grande folião, dando vazão a sua
felicidade, ao seu bom humor. As ruas eram pistas onde cada um desenvolvia seus
passes, suas danças. Quem era músico, pegava o seu instrumento e também
participava do cortejo. Tudo era alegria e felicidade. Num certo ano saiu uma
música para complementar esse momento único que dizia “ com dinheiro ou sem
dinheiro, o, o, o ,o, eu brinco, com pandeiro ou sem pandeiro, o, o, o, o, eu
brinco”. Fantástico.
Não ficava só nisso. Os que
tinham carro ou caminhão, os transformavam em viaturas carnavalescas,
enfeitando-os, colocando vários tipos de assovio nos escapamentos e faziam
desfiles nas ruas principais. Eram os corsos, cheios de gente cantando, jogando
confétes e serpentinas no povo, que revidava na maior alegria. Havia também
umas bolinhas cheias de perfume, que os foliões jogavam nas pessoas perfumando-as.
Podiam ser encontrados também, os hoje proibidos lança perfume. E a festa do
povo estava completa.
Pena que eram só três dias. Mas
muitas músicas feitas para essa ocasião marcaram época, como por exemplo:
Pierrot e Colombina, Ala-la-o, Jardineira, Piriquitinho verde, Odalisca, Mamãe
eu quero, e muitas outras, que ainda são tocadas nos salões de baile e que nos
dão muita saudade.
Essas músicas eram gravadas pelos
cantores da época e as rádios as divulgavam a partir de novembro, dezembro do
ano anterior. E os clubes já realizavam seus bailes pré-carnavalescos, ou o
baile do grito do carnaval como eram chamados. Era muito bom. Mas só entravam
pessoas maiores de idade o que pra muitos era uma lástima.
Nas grandes cidades o carnaval de
rua era inesquecível, com passistas fantásticos fazendo suas acrobacias, nos
bondes, nos corsos, os cordões de foliões fantasiados atravessando no meio do
povo, cantando, gesticulando, e os blocos carnavalescos que a todo ano
aumentavam trazendo muita alegria para todos. E ninguém saia sem seu saquinho
de conféti, rolos de serpentinas e lança perfumes, fazendo guerras com eles
principalmente contra os bondes que não paravam de passar lotados de foliões. E
era tão grande o movimento, que chegava a atrapalhar o trânsito pela quantidade
de conféti e serpentinas atiradas, que era preciso caminhões de limpeza da
prefeitura vir recolhê-los para continuar a festa. Na cidade de São Paulo, por
exemplo, isso acontecia nas avenidas São João e Rangel Pestana. Isso era muito
bom, pois a festa era realmente proporcionada pelo povo e não se pagava nada
para assistir ou participar.
O tempo foi passando e o carnaval
de rua foi sendo substituído por uma nova modalidade, quando grupos maiores começaram
a criar as escolas de samba, uma quantidade maior de pessoas comandadas na
apresentação com instrumentos de percussão na retaguarda. E dava resultado para
o público, que agora só aplaudia. E os corsos deixaram de ser uma das maiores
atrações.
Novos tempos viriam mudar
radicalmente a festa considerada do povo. Foi criada pelas prefeituras, a
Secretaria de Turismo e Cultura, que vendo o interesse do povo para tal evento,
açambarcou este para as escolas de samba, transferindo, a festa do povo para
alguns locais criados pelos interesses das prefeituras das grandes cidades. E
nestes corredores, as arquibancadas, os camarotes, são para quem pode pagar e
devem ser explorados ao máximo. E as escolas de samba que conseguem estar nos
grupos principais investem muito, e algumas delas estão nas mãos de pessoas
duvidosas, corruptas, sendo tudo isso comandado com normas e leis pela
Secretaria de Turismo. Naturalmente,
rola muito dinheiro. Alguns ganham muito, mas os coitadinhos que ajudam com o
trabalho na apresentação, não ganham nada ou quase nada. Ao contrário, às vezes
até pagam para participar de tais escolas de samba.
Agora, desfilar em escolas de
samba tornou-se para muitos uma vitrine para vender suas imagens, e muitos
artistas se envolvem no evento para usufruir de tal vitrine.
Mas não importa, o povão quer ver
a sua escola vencer, mesmo sabendo que a chance é pequena. Uma hora e pouco
para desfilar, para quem passou o ano trabalhando, investindo em materiais que
serão jogados no lixo. E para tristeza dos torcedores, uma só será a vencedora,
e os regulamentos prevêem que algumas delas podem cair para o segundo grupo e
isso é triste.
Fica a pergunta, os milhões que
rolam vão para onde, no que será aplicado.
Só para lembrar, o carnaval eram
quatro dias, hoje são cinco, e há alguns lugares que são até mais. Sem esquecer
as micaretas que podem acontecer a qualquer época do ano.
Para ilustrar; uma coisa que
sempre ouvi é que o Brasil só anda, só pega, depois do carnaval.
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