domingo, 15 de fevereiro de 2015

R Ó T U L O


Em uma entrevista num programa humorístico da TV, um artista (cantor) falava de sua conturbada carreira que terminou na conclusão que deveria ser atribuída a Deus, pois, ele acredita que Este o tirou do vício, das drogas e muitos outros problemas. Então ele enveredou pela trilha de músicas religiosas, mas somente músicas dirigidas a Deus que sem erro é um filão de ouro, pois, ele tem a certeza que seus CDs serão vendidos pelo menos para os crentes, e que são muitos. Perguntado pelo apresentador do programa qual seria sua religião, ele respondeu que não pertencia a nenhuma igreja ou religião, e que não gostava de rótulos, assim, o seu trabalho, seria mesmo só para Deus, saindo do lugar comum de ser um cantor gospel, o que algumas emissoras de rádio e de TV vem tentando incluir nas suas programações, mas ainda sem muito sucesso, apesar de já existir um turbilhão de cantores e cantoras no segmento nos corredores das rádios e TVs.

Um dia até pode acontecer, mas com uma restrição, a de que as músicas não sejam tão iguais como as das novas duplas de violeiros sertanejos. Quando o artista da entrevista mencionou rótulo, era porque talvez ele não quisesse atrás do seu trabalho, uma igreja para também tirar lucro e o dízimo tão importante para elas. Ele até cantou, mas a música na sua letra, repetia as mesmas coisas de quase todas as outras, e isso é cansativo e apesar de ser dirigida para o seu “deus”, ela também vai para os ouvintes de outros “deuses”, ou outras formas de se ver seus “deuses” e que talvez nem sempre estejam dispostos a ouvir. O ideal são mesmo as músicas que não tem nada a ver com religião e política; afinal músicas são para espairecer, alegrar, divertir, deleitar, não para induzir ou esquentar a cabeça das pessoas.

A mensagem deste cantor da entrevista, até que é válida, tem sentido, mas ele esquece que está inciso na matéria e isto é uma pena. As músicas há muito tempo eram feitas e usadas para levar histórias de amor, poesias e até mesmo só as melodias, eram o bastante para divertir e alegrar. Quem não se lembra das grandes orquestras, onde só ela era o suficiente para se fazer uma grande festa, um grande baile. Mas o tempo foi passando e foram sendo introduzidas músicas com letras que seriam interpretadas por grandes cantores, e, na continuidade, tornou-se uma profissão rendosa para os que teriam o dom de ser um bom cantor. E as indústrias fonográficas viriam a explorar estes artistas e todos passaram a ganhar. E a partir daí, qualquer um que achava ser um cantor, se introduzia na área e muitos até que deram sorte.

E começaram a aparecer tipos e gêneros de músicas, ritmos, que para faturar aumentaram e muito, invadindo o mercado, as casas dos ouvintes com sambas, grupos de pagodeiros, duplas sertanejas, a música do sul como o vanerão e outros. Finalmente o que não se acreditava aconteceu, o funk, copiado de outro país que não usa nem instrumento. É só o tal de batidão e qualquer um pode ser seu intérprete, pois, parece não ter regras nem técnica, e admite nas suas letras, sexo e palavras de baixo calão. Por exemplo, a funkeira Valeska Poposuda, pasmem, foi considerada uma grande filósofa, e letra de uma de suas músicas foi usada em uma questão em prova do Enem.

Mas pode-se dizer que tais músicas assumiram a liderança nos lugares comuns, e todos se deliciam com o tal batidão, e até dão muito trabalho às autoridades. Mas alguns desses “funkeiros” se alinharam e até conseguem fazer um bom trabalho.

Isso é apenas um ângulo de como é vista a música na sua evolução, sem contar com as grandes concentrações de carnaval, com músicas que quase sempre são só para os três dias de carnaval, com cada escola de samba sempre tentando ser a melhor na avenida. Mas o que permanece mesmo é que nos clubes a maioria das músicas tocadas são reminiscências de quando era o povo quem fazia o corso (desfile nas ruas), a alegria do carnaval.

O que deveria mesmo ser observado é que a música não poderia ser dirigida a alguns e sim para todos. De qualquer forma a música é uma coisa divina. A história conta que quem canta seus males espanta, lembrando ainda que desde o seu nascimento ela faz parte de sua vida.

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