O cara chega ao palco com seu
violão country e começa a cantar uma canção maluca, acompanhado por uma
guitarra elétrica, um baixo de pau e uma batera. O máximo de barulho com o
mínimo de recursos. O topete rabo de “pato” armado com muita brilhantina vai se
desgrenhando, como se alguém tivesse dado um tiro de sal no rabo de pato. O
paletozão largo e verde, a camisa cor-de-rosa, a calça vermelha. Chocante. Os
sapatos brancos não ficam nem meio segundo parados no mesmo lugar. O cara pula,
se sacode e rebola com o assanhamento das melhores strip teasers de Lãs Vegas.
- Estamos em Memphis, Tennesse,
no meio dos anos de 1950. Na platéia, as garotas são excitadíssimas e os
rapazes só têm uma coisa na cabeça: parecer com o cantor no palco, pegar uma
guitarra, sair por aí, rocking and Rolling como ele. O apresentador, bem pouco
antes do início do show, tinha perguntado ao cara:
- Qual o se nome filho?
- Elvis Presley senhor.
- Não, não, quero saber o seu
nome artístico.
- Elvis Presley senhor.
- Elvis Presley?! – o
apresentador não escondia sua expressão de gozação e desdém, “mais um caipira
metido a extravagante” ele deve ter pensado.
Mas quando o cara começou a
cantar, a moçada se arrepiou. A música era uma mistura de hillbilly, a música
sertaneja americana, blues e mais alguma coisa que ninguém sabia definir direito.
A voz que gargarejava as palavras e parecia brotar daqueles quadris epiléticos.
De olhos fechados, apenas ouvindo muita gente poderia jurar que o cantor era
negro. De fato, uns meses antes, em 1954, quando a voz do cara – Elvis Presley
foi ao ar a primeira vez no rádio, houve uma avalanche de telefonemas para a
estação. As pessoas queriam saber quem era o negro que cantava that´s allright.
Era o programa Red Hot´n Blue, de Dawei Phillips, que dava uma força incrível
para os bluesman negros na cidade de Memphis. O negro era Elvis, loiro (mais
tarde tingido de moreno), olhos azuis, bonito estilo baby rebelde fortão como
um caubói, como o show businnes procurava: um branco que dominasse a linguagem
corporal e vocal dos negros, para consumo de massa das platéias brancas. Ele
era religioso e nas igrejas cantava músicas gospel e aprendeu com os pregadores
que música era para se tocar e cantar com o corpo todo. Rock and Roll, baby!
Ali estava com suas costeletas grossas de chofer de caminhão, a gola da camisa
levantada e a ajuda dos quadris faziam suspirar as fanzocas enamoradas. Mas
alguma coisa além da animalidade alegre e dissoluta do “P`Elvis” pode ser
pensada para explicar os 100 milhões de discos que o Rei do Rock vendeu somente
entre 1955 e 1965, gerando a fantástica soma de 150 milhões de dólares. Sem
contar filmes, espetáculos, aparições na TV e os milhares de badulaques, tipo
crachás, camisetas, estatuetas, fotos, que o gênio mercadológico do coronel Tom
Parker, empresário de Elvis, a partir de 1955, soube impingir a multidão de fãs
hipnotizados pelo ídolo no mundo inteiro. A crítica mundial considerava Elvis
Presley um fenômeno pós guerra. Elvis Presley conseguiu realizar todos os seus
sonhos com a música Rock and Roll gravando, cantando em shows, e por orientação
de seu empresário Tom Parker investiu no cinema outra grande fonte de dinheiro
como retorno, e com isso ele ficou afastado da música, porém seus discos eram
os mais vendidos no mundo estavam sempre nos primeiros lugares das paradas das
rádios em quase todo o planeta. Até que em dezembro de 1968, após uma ausência
de oito anos nos shows de TV. Elvis gravou um especial para a NBC, três anos
depois o documentário That´s The Wai It Is, que bateu um recorde de
bilheterias, Elvis no início da carreira, com o guitarrista Scotty Moore. Em
todo o tempo chovia ouro na horta do garoto, gravações, especiais, shows as
centenas a valores astronômicos que ele não conseguia administrar ou saber de
quanto dinheiro ele tinha. Rico muito mais do que poderia gastar, mesmo se
vivesse como um faraó por mil anos. Elvis colecionava cadillacs, ursinhos de
pelúcia e mulheres. A única mulher com quem se casou Priscilla Beaulien, que
ele conheceu quando serviu o exército na Alemanha, que fugiu de casa com o
instrutor de caratê e kung fu, morreria de rir com esta história. Finalmente
passou a fazer shows em Lãs
Vegas para deleite dos clientes. O coronel Tom Parker tirou
muito proveito de tudo isso. Chegou o tempo que Elvis se cansou, estava gordo,
tomava muitos remédios e se sentia em solidão. E neste estado de graça que, em que em
janeiro de 1973, Elvis Presley se apresenta num bem sucedido concerto de uma
hora no Hawai, promovido pela RCA – Aloha From
Hawai. Todo o oeste americano assistiu ao show, via satélite. Depois o resto do
Planeta, via teipes, também teve oportunidade de ver o Rei.
E aí, no triste dia 16 de agosto
de 1977, em sua hiper – kitsch mansão em Memphis, a Graceland, onde morava com
o pai (a mãe morrera em 1958 deixando-o desolado), e um séquito de amigos
assalariados, o coração do Rei parou. Elvis tinha 42 anos de idade. Diagnóstico
espiritual: overdose de si mesmo.
Lembro a todos que isto é apenas
um resumo da vida e do que foi Elvis Presley – O REI DO ROCK. E que se
estivesse vivo estaria completando 80 anos de idade.
Da: Revista Rock.
Editora Rio Gráfica.
Diretor, Pedro Paulo Poppovic e
consultores editorias s/c Ltda.
Texto de: Ronaldo Morais.
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