segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

RECORDAR É VIVER - O carnaval quando era do povo



             

Pra falar a verdade eu sou de um tempo em  que a festa do carnaval era do povo e era ele quem decidia como festejar, cantando só ou em grupos.

A maioria se preparava com roupas especiais, máscaras e fantasias. Quem tinha carro ou caminhão colocava um apito no escapamento, dava uma enfeitada no  “possante”, fazendo com que muitos criassem coragem e embarcassem neles.

E  assim foram sendo criados, primeiro nas grandes cidades e depois nas menores, com tradições vindas da Europa, o famoso corso que transitava pelas ruas principais das cidades com muita energia e alegria. Desfilavam até altas horas guerreando com o povo das calçadas, atirando confete, serpentinas e bolinhas de perfume.

Era muito gostoso, mesmo porque ninguém era molestado ou roubado, e havia muito respeito nas brincadeiras.

Os clubes abriam suas portas para o Rei Momo a partir do baile pré-carnavalesco, mas haviam algumas restrições. A noite era frequentada só por maiores de dezoito anos, e não podia haver exagero no nu da fantasia, algo que praticamente não existia.

Normalmente, os foliões traziam nas mãos confete, serpentinas, e naquela época o fundamental, o famoso lança perfume, que era apenas uma brincadeira, e ainda as bolinhas de perfume para perfumar quem fosse o alvo.

Isso durou décadas. Desde o “Abre Alas” da compositora Chiquinha Gonzaga, tão famosa, que até hoje é a musica preferida em blocos, bandas e orquestras que começam seus trabalhos com ele.

Essa festa foi exclusiva do povo até quando as autoridades, vendo o seu volume e retorno monetário, açambarcaram tudo tomando para si o que deixou de ser uma festa livre para o povo e para divertir os blocos e escolas de samba, e passou a ser controlada por lei, sendo os locais para os desfiles das escolas de samba nas grandes cidades fechados, e o que se assistia por diversão e prazer, hoje paga-se caro para ver.

Os tempos mudaram é claro, mas mesmo assim é sempre uma visão fantástica ver as escolas de samba, principalmente as do Rio de Janeiro e de São Paulo desfilarem procurando ser a melhor, a mais bonita para os olhos do povo, que sempre tem a sua predileta e deseja vê-la ser coroada como a melhor.

Agora não podemos perder tempo. O carnaval já começou, e o importante é sair para recebê-lo, festejar, e dançar até o dia amanhecer.  


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